Hoje Tom Ford, Moncler e Balenciaga. Amanhã, Hermès?
Maison francesa investe US$ 400 milhões na compra de dois imóveis na Rodeo Drive, na maior transação comercial de Beverly Hills em décadas.

Hermès é a compradora misteriosa do maior negócio já registrado no mercado imobiliário comercial de Beverly Hills.
As vitrines que hoje exibem Tom Ford, Moncler e Balenciaga na Rodeo Drive podem, no futuro, refletir outro universo. Após meses de especulação, revelou-se que a Hermès é a compradora por trás da aquisição de duas propriedades contíguas no número 388 da North Rodeo Drive — um negócio estimado em US$ 400 milhões, considerado o maior já registrado no mercado imobiliário comercial de Beverly Hills nas últimas décadas.
O terreno foi negociado no verão passado, mas o nome do investidor permaneceu sob confidencialidade até agora, segundo o The Wall Street Journal. O valor supera qualquer transação semelhante na região desde os anos 2000, de acordo com dados da CBRE.
Ainda não há confirmação sobre o que a maison francesa pretende fazer com os 2.323 metros quadrados recém-adquiridos. As três marcas que ocupam atualmente o espaço têm contratos vigentes por mais alguns anos, o que indica que qualquer mudança exigirá tempo — e estratégia. A Hermès, vale lembrar, já mantém uma boutique na região, a poucos minutos de caminhada dali.
O movimento, no entanto, dialoga com uma tendência clara entre as grandes casas europeias: assumir o controle de seus próprios endereços em avenidas simbólicas. Gucci e Cartier investiram pesado para garantir propriedades na Quinta Avenida, em Nova York, na New Bond Street, em Londres, e na Avenue Montaigne, em Paris. A LVMH também consolidou presença imobiliária na própria Rodeo Drive.
Mesmo diante da desaceleração recente do mercado global de alto padrão — cenário do qual a Hermès tem se mantido relativamente distante —, a aquisição reforça a força de caixa e a visão de longo prazo dessas maisons. Mais do que metros quadrados, trata-se de assegurar território em um dos palcos mais emblemáticos do varejo mundial.
“O que vemos agora na Rodeo Drive não é apenas um compromisso das marcas de luxo que têm condições de comprar seus imóveis, mas também o fato de os prédios estarem ficando muito maiores”, afirmou Jay Luchs, vice-presidente da Newmark que trabalhou no negócio da Hermès, ao WSJ.
Em Beverly Hills, onde fachada é símbolo e endereço é ativo estratégico, a disputa não acontece apenas nas vitrines — mas na posse definitiva do cenário.