João Mansur traduz o espírito “Paris nos Jardins” em apartamento Lindenberg no Jardim América

Entre arte brasileira, mobiliário de acervo e referências europeias, o arquiteto cria um projeto que equilibra maximalismo e sofisticação em um clássico paulistano dos anos 1970.

João Mansur_ROMULO FIALDINIIdealizado pelo arquiteto João Mansur, o projeto do apartamento no icônico edifício Lindenberg, em São Paulo, é um encontro contemporâneo com arte e história. Foto: Romulo Fialdini 

O encontro entre referências históricas parisienses e arte, o arquiteto João Mansur criou um ambiente contemporâneo em um apartamento de 350 metros quadrados de uma empresária em um edifício Lindenberg icõnico da década de 1970, no coração do Jardim América, em São Paulo. O prédio foi construído à época para atender a família Matarazzo. O perfil de moradores hoje é de pessoas que curtem espaços generosos e com qualidade.

“Este apartamento Lindenberg tem um estilo João Mansur mais contemporâneo sem perder a minha essência. É um projeto um pouco mais clean, mas focado no maximalismo como sempre”, diz o arquiteto, um mago da arquitetura clássica cosmopolita. “Eu sou cumulativo e o cliente também é. Então tive que dispor de vários itens da coleção de outras casas do cliente, sem desfazer de nada porque só tem peças importantes. Demolimos as paredes que dividiam as salas de jantar, home theater e living e fizemos tudo integrado.”

B0129322A tela de Os Gemeos é uma das artes que dão vida ao apartamento.

A inspiração parte de um contraste sofisticado: de um lado, tela de Os Gemeos, um Di Cavalcanti pendurado na estante, muita arte. De outro, paredes revestidas de madeira, remetendo ao clássico, numa iluminação absolutamente teatral e mágica, com olho de Moscou. “Foram retiradas as guarnições das janelas para dar essa cara mais contemporânea. Ficou uma atmosfera ‘Paris nos Jardins’, limpa mas um pouco europeia”. João Mansur brinca com o estilo europeu e suas cores. O verde foi a temática. Nas cortinas, nos sofás, nas poltronas pró-memória e no hall de entrada. Há muitos elementos de design assinado, de alta qualidade.

Um grande tapete persa Serapi toma conta do piso de mármore travertino. “Normalmente não uso tapetes, mas era parte do acervo do cliente que veio de outras residências”, conta Mansur. Um importante biombo chinês Coromandel do século 17, adquirido na Sotheby’s, em Londres, domina a cena do living. Está pendurado na parede, com um grande painel, entre inúmeras obras de arte importantes distribuidas por todas as paredes. Um sofá-ilha , da Conceito Firma Casa, chama atenção. Faz a conexão entre a sala de tevê e a área de estar. Uma grande mesa de centro em acrílico maciço domina a cena e expõe uma pequena coleção de caixas em prata inglesa. E ao centro um belo cavalo em porcelana “blanc de Chine” à maneira “Tang”. O lavabo é elegante, revestido por um papel como se fosse um lezard, e bancada de mármore raro brasileiro.

B0129338O verde é temático nos ambientes. Um sofá-ilha integra living e home theater. Um biombo chinês Coromandel do século 17, domina a cena

A sala de jantar tem duas lindas luminárias Vista Alegre sobre o aparador chinês e ganha destaque com a mesa de jantar em pergaminho. Acima, um par de lustres em murano assinados por Barovier & Toso, de Veneza. Dois medalhões em caixas de acrílico da Cia das Índias compõem o ambiente. “São do século 17 e 18 comprados em Londres, muito importantes”, observa o arquiteto. O projeto reflete a essência do trabalho de João Mansur, conhecido por sua abordagem autoral, que mescla referências globais com uma leitura contemporânea do morar.

Sua arquitetura não se restringe a estilos, mas constrói narrativas. O espaço reúne peças de design, mobiliário e objetos cuidadosamente selecionados, compondo uma cena. É uma curadoria que traduz o lifestyle defendido pelo arquiteto: sofisticado, eclético e conectado ao mundo. Repertórios internacionais ganham interpretação brasileira e vice-versa. Mansur exercita mais uma vez sua genial capacidade de transformar referências diversas em experiências únicas, como ponto de convergência desse universo criativo.

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