Joia Bergamo transforma duplex em São Paulo com projeto que privilegia fluidez e precisão
Em um apartamento de 800 m², a arquiteta aposta na eliminação de excessos para criar um espaço contínuo, onde arquitetura, luz e materiais operam em equilíbrio.

Joia Bergamo: une formação clássica e um olhar contemporâneo.
Há projetos que nascem da soma de ambientes. Outros, da subtração. Neste duplex em São Paulo, assinado por Joia Bergamo, a transformação parte de um gesto radical: eliminar interrupções para construir continuidade. O que antes era um apartamento fechado por mais de duas décadas, marcado por desníveis e uma planta fragmentada, dá lugar a um espaço fluido.
A reforma buscou devolver proporção. O pé-direito foi ampliado, os desníveis eliminados sempre que possível e a leitura do espaço simplificada. “Deixei o apartamento limpo e homogêneo”, resume a arquiteta. A decisão define o projeto: um cenário contínuo, em que os ambientes não se interrompem, apenas mudam de ritmo.

Antes em caracol, ela foi substituída por um desenho mais amplo, em mármore branco e guarda-corpo de vidro.
No centro dessa nova organização está a escada. Antes em caracol, ela foi substituída por um desenho mais amplo, em mármore branco e guarda-corpo de vidro. Ao redor surge um dos principais insights do projeto: uma adega dupla, que acompanha os dois pavimentos e cria uma conexão visual entre os andares. “Ela funciona como uma peça única, quase uma escultura”, diz Joia.
O morador prefere cerveja a vinho – o espaço nasce menos do hábito e mais da vocação da casa: receber. Pensado para um casal com duas filhas, o apartamento de 800 metros quadrados equilibra convivência e privacidade. Painéis e portas de correr permitem integrar ou isolar áreas conforme a ocasião, criando uma casa que se adapta, de jantares íntimos a encontros maiores. A varanda, integrada ao living, assume protagonismo com área gourmet e piscina, reforçando a relação entre interior e exterior.
O projeto privilegiou áreas de estar amplas e integradas, pensadas para conforto e sociabilidade.
Madeira, pedra e vidro compõem uma paleta com poucos contrastes e acabamento preciso. O mobiliário alterna peças assinadas e desenho sob medida, enquanto a coleção de arte dos proprietários se distribui pelo apartamento. Nada se impõe, tudo organiza. A iluminação, tratada como parte estrutural, desenha o espaço e orienta os usos. “Uma boa luz valoriza um projeto médio; uma iluminação mal resolvida pode comprometer um excelente”, afirma a arquiteta. Integrada à automação, permite criar diferentes cenários.
Com formação clássica e olhar contemporâneo, Joia Bergamo aposta em soluções atemporais. “Gosto de projetos que, daqui a dez ou quinze anos, ainda façam sentido para o cliente”, diz. Para isso, o processo começa na escuta: entender hábitos, desejos e momentos de vida é o ponto de partida. O resultado é um apartamento que não se define por um único elemento, mas pela forma como tudo se articula. Um projeto em que o luxo está na precisão das escolhas.
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