“A fantasia para Juliana Paes no Carnaval uniu savoir-faire artesanal italiano e a energia criativa do Brasil”, diz Domenico Dolce

Em entrevista exclusiva a Robb Report Brasil, os criadores da Dolce&Gabbana refletem sobre a presença histórica da maison no sambódromo carioca, vestindo a atriz no desfile da Viradouro campeã, e deixam no ar desejo de retorno à Avenida.

WhatsApp Image 2026-02-27 at 17.20.39 Pela primeira vez, a Dolce&Gabbana participou oficialmente do Carnaval do Rio, assinando o traje de Juliana Paes.

O Carnaval acabou, mas essa memória ficou. Entre tantas imagens grandiosas que atravessaram a Marquês de Sapucaí em 2026, uma permanece viva: Juliana Paes, soberana à frente da bateria da Unidos do Viradouro, dentro de um figurino Dolce&Gabbana, conduzindo a escola de Niterói rumo ao título de campeã.

A vitória da Viradouro coroou um desfile arrebatador, e também selou um encontro simbólico entre o luxo artesanal italiano e a potência estética do maior espetáculo popular do planeta. Pela primeira vez, a Dolce&Gabbana participou oficialmente do Carnaval do Rio, assinando o traje da Rainha de Bateria em seu retorno ao posto após 17 anos.

Mais do que uma colaboração pontual, o gesto representou um diálogo cultural de alta voltagem. Quando a Dolce & Gabbana decidiu atravessar o Atlântico para estrear no Carnaval do Rio de Janeiro, não o fez em tom discreto. No centro do espetáculo, Juliana Paes, retornando ao posto após 17 anos, sob a regência de Mestre Ciça. O resultado foi um tiro certeiro, estético, cultural e estratégico.

WhatsApp Image 2026-02-27 at 17.20.13

Pela primeira vez em sua história, a casa italiana criou e executou um figurino para o maior espetáculo popular do planeta, em cocriação com uma escola de samba. O projeto começou ainda em 2025 e uniu os códigos da grife — sensualidade barroca, religiosidade siciliana, devoção à família e à mão artesã — ao enredo e às demandas técnicas da bateria da Viradouro.

Foram mais de 250 horas de trabalho manual, com 13 artesãos dedicados a uma construção que evocava o universo da Alta Moda: cristais bordados um a um, metais dourados, veludos de seda e uma engenharia de volumes que dialogava com o teatro, e com a dramaturgia natural da Sapucaí .

O sutiã, com motivos de coração cravejados de cristais e flores luminosas, descia em cascatas de correntes prateadas e vermelhas pontuadas por gotas douradas. Nos ombros, estruturas esculturais sustentavam uma capa dramática de veludo de seda, como cortinas que se abrem para o clímax. Ao final, um leque impactante de plumas vermelhas, reaproveitadas do acervo da escola, ancorava o look em um gesto contemporâneo de luxo consciente. A coroa em filigrana dourada, cravejada de gemas, selava o manifesto: não era apenas fantasia, era joalheria performática.

WhatsApp Image 2026-02-27 at 17.22.08

A escolha do Carnaval carioca como palco inaugural não foi casual. Para a Dolce & Gabbana, cuja narrativa sempre celebrou o excesso como arte e a tradição como espetáculo, a Sapucaí representa uma extensão natural de sua linguagem visual. O barroco italiano encontra o barroco brasileiro; a devoção siciliana conversa com a fé carnavalesca.

Em entrevista exclusiva à Robb Report Brasil, Domenico Dolce e Stefano Gabbana falam sobre o significado de levar o savoir-faire da Alta Moda à avenida e sobre a emoção de ver sua criação atravessar o Sambódromo no desfile que culminaria no campeonato.

Por que a Dolce&Gabbana decidiu participar do Carnaval brasileiro — a celebração mais popular do país — e o que esse momento representa para a marca?

Domenico Dolce - O Carnaval do Rio é um evento extraordinário, uma explosão de cor, energia e positividade. Para nós, foi simplesmente maravilhoso fazer parte dele graças à colaboração com Juliana Paes e sua equipe. O figurino foi concebido e criado com a mesma abordagem, cuidado e atenção que dedicamos às nossas coleções de Alta Moda: nenhum detalhe foi deixado ao acaso. Ele representa um encontro simbólico entre o savoir-faire artesanal italiano e a energia criativa do Brasil — uma visão profundamente enraizada na cultura local, mas capaz de dialogar com um público global. Ver Juliana Paes brilhar durante o desfile foi verdadeiramente emocionante.

O que a marca buscou expressar ao vestir Juliana Paes como Rainha de Bateria da Unidos do Viradouro?

Stefano Gabbana - Juliana personifica força, feminilidade e carisma, valores que naturalmente ressoam com o DNA da Dolce&Gabbana. Para celebrar seu retorno, após 17 anos, ao icônico posto de Rainha de Bateria da escola de samba Unidos do Viradouro, criamos um figurino pensado para valorizar e acompanhar seu corpo em movimento, tornando-se uma extensão natural do ritmo, da energia e da potência expressiva que Juliana levou consigo para a avenida.

Como vocês se sentiram ao participar, através da marca, de um desfile que terminou com o campeonato da Viradouro no Carnaval 2026?

Domenico Dolce - Estamos felizes por termos compartilhado uma emoção tão intensa, mas a vitória pertence acima de tudo à escola e à Juliana. O Carnaval é certamente uma competição, mas, sobretudo é um momento de profunda partilha e identidade coletiva, capaz de liberar energia pura e uma descarga de adrenalina incomparável. Fazer parte dessa jornada foi um grande privilégio para nós.

Este foi um momento único na história da relação da Dolce&Gabbana com o Carnaval ou podemos esperar um retorno?

Stefano Gabbana - Quem sabe! Estamos sempre abertos a novas trocas e curiosos para abraçar novas experiências.