Conheça 5 hotéis onde o design é narrativa

Da Colômbia ao México, passando por Brasil e Estados Unidos, selecionamos endereços onde nomes consagrados da arquitetura e do design transformam hotéis em experiências autorais.

TMR_1507_aspect16x9_FS TamarindoFour Seasons Resort Tamarindo é fruto de uma colaboração histórica entre dois gigantes da arquitetura mexicana, Víctor Legorreta e Mauricio Rocha.

Para o olhar apurado, um hotel não é apenas um refúgio, mas uma extensão da curadoria de vida. No roteiro a seguir, selecionamos cinco propriedades onde a arquitetura e os interiores não apenas acompanham a paisagem, mas a interpretam através de materiais locais, coleções de arte singulares e assinaturas de peso.

1. Four Seasons Hotel and Private Residences Cartagena, Colômbia

Com abertura prevista para o segundo semestre de 2026, o Four Seasons Hotel and Private Residences Cartagena nasce com o status de "item de colecionador". O projeto marca uma das últimas incursões na hotelaria do mestre francês François Catroux, conhecido por aceitar apenas projetos que o inspirasse pessoalmente. Ocupando um conjunto singular de edifícios históricos — que vão desde o claustro e o templo de São Francisco, do século XVI, até teatros icônicos e o lendário Club Cartagena, marco dos anos 1920 —, o hotel convida à descoberta em cada detalhe. Fachadas primorosamente restauradas, pátios tranquilos e corredores abertos revelam afrescos preservados que dão lugar a acomodações inspiradas no charme do "Velho Mundo", sob o rigor da arquitetura de José María Rodríguez. O toque de localidade vem da designer colombiana Poli Mallarino, que assina mobiliários e têxteis em colaboração com artesãos locais, fundindo a herança colonial à elegância clássica de Catroux.

2. DPNY Beach Hotel & SPA, Ilhabela, Brasil

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Em Ilhabela, o DPNY Beach Hotel & SPA prova que o design e a excelência são a alma da longevidade. O hotel se diferencia por uma estética que não foi apenas comprada, mas 'feita à mão’. Um dos elementos mais icônicos da propriedade — seus complexos e vibrantes mosaicos — nasceu de oficinas de arte locais promovidas pelos próprios fundadores. Com o intuito de criar um empreendimento único, o DPNY transformou a arquitetura do hotel em um projeto social vivo, onde o fazer manual e o mobiliário luxuoso assinado se encontram. Essa curadoria se traduz em um barefoot luxury genuíno: conforto absoluto, estrutura pé na areia e uma atmosfera de praia sofisticada, marcada por leveza, identidade e peças únicas.

3. Four Seasons Resort and Residences The Surf Club, Surfside, EUA

Em Surfside, a arquitetura de Richard Meier encontra os interiores de Joseph Dirand, resultando em um dos hotéis com a estética mais apurada em Miami. Presença garantida no The World’s 50 Best Hotels e detentor de Two MICHELIN Keys, o The Surf Club combina o glamour dos anos 30 — ao instalar as áreas sociais em um prédio tombado — ao minimalismo de Meier nas acomodações, cujos volumes reverenciam a luz da Flórida em suítes com amplos espaços abertos. A precisão estética estende-se à experiência gastronômica: do The Champagne Bar, com sua sofisticação tátil que remete à era de ouro do clube, ao The Surf Club Restaurant, do chef estrelado Thomas Keller, onde o design mid-century serve de moldura para um menu com olhar contemporâneo para clássicos americanos daquela década.

4. The Little Nell, Aspen, EUA

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Referência em Aspen, o The Little Nell desafia o clichê do rústico alpino através de uma curadoria de arte digna de museu. O design de interiores é um exercício de texturas: pedras locais e madeiras nobres são apresentadas de forma contemporânea, servindo de tela para uma coleção de arte que é constantemente atualizada e define a identidade visual do hotel com obras de Theaster Gates, Rashid Johnson e o brasileiro Vik Muniz. No novo The Spa, com interiores assinados pelo espanhol Luis Bustamante, uma paleta de azuis profundos conversa com o lobby, enquanto terracota e materiais táteis que dialogam com a sofisticação silenciosa das montanhas.

5. Four Seasons Resort Tamarindo, México

Uma obra-prima da arquitetura biofílica, celebrada com o selo Michelin Key e o prestigioso Prix Versailles da UNESCO. O resort é fruto de uma colaboração histórica entre dois gigantes da arquitetura mexicana, Víctor Legorreta e Mauricio Rocha, que uniram forças no coletivo LegoRocha para criar uma estrutura que parece emergir organicamente das falésias. O uso de concreto pigmentado na cor da terra e pedras vulcânicas cria uma simbiose radical com a reserva protegida, enquanto o design de interiores — assinado por Uribe Krayer e Estudio Esterlina — utiliza fibras naturais e mobiliário de artesãos locais. Vencedor do Great Design Hotel Award da Architectural Digest, o Tamarindo é a prova de que a modernidade pode (e deve) ser uma ferramenta de celebração do território.