Marcas tradicionais e produtores artesanais impulsionam novas tendências no champanhe
Estratégias de marcas tradicionais e viticultores independentes mostram que há espaço para inovação no ícone francês.
Chefs criam receitas exclusivas que valorizam as borbulhas do champanhe.
Champanhe é um clássico, um vinho que nasce de duas fermentações, a segunda na garrafa, desde o reinado do monge Dom Pérignon no século 17. Mas é possível perguntar se há espaço para tendências nessas borbulhas tão clássicas. A resposta é sim e as tendências são diversas, da gastronomia aos pequenos produtores.
Na gastronomia, um exemplo é o trabalho da Krug, que aposta em receitas baseadas em um único ingrediente para valorizar as suas borbulhas. Este ano, a escolhida foi a cenoura. A proposta é que os chefs das embaixadas Krug, como são chamados os restaurantes ao redor do mundo que representam o champanhe, criem receitas exclusivas, publicadas em um livro de edição limitada.
No Brasil, coube ao chef Marcelo Fukuya, do Kinoshita, criar um tempurá de cenouras. A harmonização segue na Perrier-Jouët, que tem como parceiro o renomado chef francês Pierre Gagnaire, três estrelas Michelin.
Na sede da maison, com sua decoração inspirada no movimento Art Nouveau, Gagnaire cria os cardápios inspirados nas diretrizes da chefe de cave Séverine Frerson, e baseados, sempre, em ingredientes frescos.
Mas há outros caminhos: para marcar a chegada da Don Ruinart Blanc de Blanc 2013 ao Brasil, em um lote limitado, a estratégia foi explorar a cremosidade dos champanhes blanc de blanc, aqueles que são elaborados apenas com uvas brancas, aqui a chardonnay.
O rótulo também pode ser o destaque, como acontece no lançamento da edição restrita do Rosé Impérial da Moët & Chandon. A escolha foi em um rótulo vermelho, vivo, que chega ao mercado neste final de ano.
E há os champanhes de pequenos produtores. São viticultores que apostam em uma produção artesanal e não mais vendem suas uvas para as grandes marcas. Porque também é possível reinventar o clássico.
Don Ruinart Blanc de Blanc 2013

Elaborado apenas com a uva chardonnay, o que classifica este champanhe entre os Blanc de Blanc, o Don Ruinart nasce em anos especiais e com uvas apenas daquela safra. O ano de 2013 foi marcado por uma colheita muito tardia, trazendo mais frescor e aromas tostados, realçados pelo envelhecimento sob rolha – um “detalhe” técnico do amadurecimento: enquanto os demais champanhes são engarrafados com uma tampinha que lembra a de cerveja durante a sua segunda fermentação, a maison optou por colocar a rolha de cortiça, o que permite uma maior micro-oxigenação na bebida. Importado pela LVMH. www.ruinart.com
Comme Autrefois 2006

A produtora Françoise Bedel está à frente da vinícola da família desde 1979 e, neste período, se transformou em um exemplo para os pequenos produtores locais. É considerada a “madame do champanhe de terroir”, por seu trabalho de valorizar a tipicidade do Vallée de la Marne. Fã da pinot meunier, que é uma das três variedades da região (as outras duas são a pinot noir e a chardonnay), tem oito hectares de vinhedos, com vinhas entre 30 e 60 anos. Importado pela AnimaVinum. www.champagne-bedel.fr
Perrier-Jouët Belle Epoque 2015

Esta maison surgiu em 1811 da paixão de Pierre-Nicolas Perrier e Rose-Adélaïde Jouët pelas artes e pela natureza. O champanhe Belle Epoque teve sua primeira safra em 1964, em uma garrafa que reproduz uma criação de Émile Galle, um dos artistas de destaque da Art Nouveau. É elaborado em porcentagens semelhantes de chardonnay e pinot noir, com notas florais, cítricas e um frescor encantador. Importado pela Woods Wine. www.perrier-jouet.com/en-ww