Importações em alta pressionam saldo da balança marítima no 1º semestre

Terminais privados movimentam 64,6% do total nacional, enquanto exportações recuam com commodities.

Terminal PortuárioPorto Itapoá (SC): principal TUP de Contêiner do primeiro semestre de 2025. (Foto: Divulgação)

O comércio exterior brasileiro registrou retração no transporte marítimo no primeiro semestre de 2025. Segundo a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), o saldo da balança comercial por via marítima somou US$ 46,99 bilhões, queda de 17,2% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado reflete a combinação de exportações em baixa (US$ 144,7 bilhões, -3,5%) e importações em alta (US$ 97,7 bilhões, +4,8%).

A redução foi puxada por commodities como soja, petróleo e minério de ferro, que perderam mais de US$ 8 bilhões no período, em parte pela queda nos preços médios internacionais. Já nas importações, houve avanço expressivo em máquinas e equipamentos industriais (+12,4%), além de altas relevantes em produtos farmacêuticos (+32,9%) e químicos orgânicos (+23,3%).

O relatório aponta ainda que a corrente de comércio marítimo (exportações + importações) totalizou US$ 242,2 bilhões, queda de 0,3%. Para o segundo semestre, a expectativa é de estabilidade nos preços de soja e petróleo, mas com riscos ligados à volatilidade internacional e a conflitos geopolíticos.

No desempenho portuário, os terminais de uso privado (TUP) mantiveram protagonismo, movimentando 422,3 milhões de toneladas (+1,9%), o equivalente a 64,6% do total nacional. O sistema portuário brasileiro registrou movimentação geral de 653,7 milhões de toneladas (+1%), enquanto os portos públicos recuaram 0,5%, para 231,5 milhões.

“O cenário reforça a necessidade de adaptação dos terminais portuários e da cadeia logística para sustentar a competitividade do Brasil”, afirmou Murillo Barbosa, presidente da ATP.

As exportações para a China recuaram 7,56%, somando US$ 47,5 bilhões, enquanto os Estados Unidos cresceram 2,83%, para US$ 17,3 bilhões. Também avançaram as vendas para Argentina (+57,6%), Coreia do Sul (+16,5%) e Índia (+11,4%).