“Tem que valer a pena ser sério no Brasil”, diz Emerson Kapaz em debate sobre combustíveis e concorrência desleal
CEO do Instituto Combustível Legal afirmou, durante o Seminário LIDE Energia, que sonegação, adulteração e fraudes fiscais afetam a competitividade do mercado formal e dificultam investimentos no país.

Emerson Kapaz, CEO do ICL – Instituto Combustível Legal, em sua exposição no Seminário LIDE Energia. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
“Tem que valer a pena ser sério no Brasil.” A afirmação do CEO do ICL – Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz, marcou um dos debates do Seminário LIDE Energia, realizado na manhã desta terça-feira (26), na Casa LIDE, em São Paulo. Durante sua participação, o executivo afirmou que o avanço do crime organizado no setor de combustíveis passou a impactar diretamente a competitividade do mercado e o ambiente de negócios no país.
“Hoje eu não falo mais em crime organizado, eu falo em economia do crime”, disse Kapaz. Segundo ele, empresas estruturadas para sonegação fiscal e adulteração de combustíveis criam uma concorrência desleal contra companhias que atuam regularmente no mercado. “Todos têm que pagar a mesma coisa e ganha aquele que é mais competitivo, não aquele que sonega, que adultera, que faz a malandragem”, afirmou.
Kapaz também defendeu o fortalecimento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e afirmou que a aprovação da lei do devedor contumaz representa um avanço no combate a empresas criadas para inadimplência tributária recorrente. Segundo ele, o combate à concorrência desleal é uma condição necessária para ampliar investimentos e dar mais previsibilidade ao setor.
Segurança energética, transição e investimentos
Leticia Andrade, vice-presidente de Exploração e Produção Internacional da Equinor Brasil. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
A vice-presidente de Exploração e Produção Internacional da Equinor Brasil, Leticia Andrade, afirmou que previsibilidade regulatória e estabilidade institucional seguem entre os principais fatores para atração de investimentos em projetos de óleo e gás. “Quando levamos um projeto para o nosso comitê executivo, a pergunta é sempre a mesma: ‘Por que o Brasil?’”, afirmou a executiva.
Segundo Leticia, projetos do setor envolvem investimentos bilionários e planejamento de décadas, o que exige estabilidade regulatória e segurança contratual. “O investidor consegue lidar com complexidade. O que a gente não consegue administrar é ruptura”, declarou. A executiva também destacou a integração entre petróleo, gás natural e fontes renováveis como diferencial competitivo do Brasil.
Rodrigo Soares, presidente da Shell Energy Brasil. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
O presidente da Shell Energy Brasil, Rodrigo Soares, afirmou que o avanço das fontes renováveis vem mudando o papel das termelétricas no sistema elétrico brasileiro. Segundo ele, o gás natural tende a ganhar relevância como fonte de segurança energética diante da expansão da geração solar e eólica e da maior intermitência do sistema.
“As termelétricas hoje funcionam como um ‘backstop’, uma garantia para os momentos em que as condições climáticas mudam”, afirmou Soares. Para o executivo, o gás natural se consolida como “o combustível perfeito para essa transição”, ao garantir confiabilidade e estabilidade ao sistema elétrico brasileiro.
Izabella Teixeira, co-presidente do International Resource Panel da ONU e co-chairwoman do LIDE. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
A co-presidente do International Resource Panel da ONU, ex-ministra do Meio Ambiente e co-chairwoman do LIDE, Izabella Teixeira, defendeu uma estratégia integrada entre segurança energética e agenda climática. Segundo ela, o Brasil precisa fortalecer sua posição internacional a partir de seus recursos naturais e capacidade energética.
“Uma indústria poderosa, como a de petróleo, pode e deve ser aliada no processo de descarbonização da economia brasileira”, afirmou Izabella. A ex-ministra também criticou a politização do licenciamento ambiental no país. “O licenciamento ambiental é um instrumento administrativo, que foi politizado no Brasil”, declarou.
Roberto Ardenghy, CEO do IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
O CEO do IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, Roberto Ardenghy, afirmou que a reorganização geopolítica global tende a ampliar a relevância do Brasil no mercado internacional de energia. Segundo ele, o petróleo continuará estratégico nas próximas décadas, apesar do avanço das fontes renováveis e da transição energética em curso.
“O petróleo vai continuar muito importante, vai continuar relevante na economia mundial”, declarou Ardenghy. O executivo também defendeu o avanço de projetos na Margem Equatorial e a ampliação da produção nacional de gás natural e biocombustíveis como parte da estratégia energética brasileira.
Jean Paul Prates, chairman do CERNE e head do LIDE Energia. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
Já o ex-senador, chairman do CERNE e head do LIDE Energia Jean Paul Prates afirmou que a Amazônia enfrenta avanço do crime organizado e defendeu o uso dos recursos do petróleo para ampliar a presença do Estado na região. Segundo ele, impedir a produção brasileira não altera o cenário global de emissões nem reduz a demanda internacional por petróleo.
“A Amazônia é tomada pelo crime organizado”, disse Prates. “Se nós não produzimos petróleo lá, não vai mudar em nada as emissões globais.” O ex-senador também defendeu uma revisão regulatória para exploração energética na Amazônia, considerando as especificidades econômicas e ambientais da região.
O Seminário LIDE Energia foi patrocinado por Hydro e Vale. O evento teve como media partners Jovem Pan, Lide.com.br, Revista LIDE e TV LIDE. Os fornecedores oficiais foram 3 Corações, Bauducco, Natural One e Águas da Prata. A operação de tecnologia contou com Netglobe, RCE, TCL Semp e THE LED.